Sem palavras e sem liberdade

Em dez anos caiu para mais da metade o número de palavras empregadas para se comunicar. Um colega professor me contou que há uma década o vocabulário de um adolescente era composto por umas mil palavras, hoje mal chega a 250 e tudo leva a prever que o processo de deterioração continuará se agravando.

Além das consultorias, frequentemente dou aulas sobre Storyselling e quando peço para alguém descrever, com uma história detalhada e emocionante, um momento de sua vida profissional, ouço a história toda resumida em: “Um trampo show de bola”.

Palavras como irrepreensível, maravilhosa, espetacular, minuciosa, espirituosa, tragicômica, restrita, pontual, etc…. estão fora da mente da maioria das pessoas.

Vejo as pessoas trocando “Olha como estou maravilhosa hoje” por “Hoje eu to um nojo.”, “Olá, tudo bem? Passa seu contato.” por “E aí bebê, dá um ZAP” ou “Incrível, tudo estava indo bem, até quando começou a dar errado” por “Flopou” e outras que estão “hitando” por aí (Hehehehe….)

Mas a minha preocupação vai além de pessoas sem capacidade de articular frases simples, dotadas de começo, desenvolvimento e fim; o perigoso disto tudo é a vinculação entre o vocabulário e o pensamento. Só pensamos com palavras e com elas conseguimos distinguir determinadas realidades de outras. Sem palavras vivemos um empobrecimento gradual do intelecto e, a partir daí, um maior estreitamento mental com a consequente restrição da liberdade do pensamento.

Com poucas palavras, temos cada vez menos liberdade de expressão e de existência.

Liberdade é o trampo. Fico pistola com essas, véi!
CD Palavras

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *